OBS: Sei que é sábado, mas o assunto de hoje é sério. Não que os das postagens anteriores não o fossem, mas hoje dispenso o bom humor tradicional que, acredito, volta amanhã. Agora é hora de refletir.

17 anos vivendo no vazio. Não poderíamos dizer escuridão pois não sabemos se no lugar onde se encontra a luz se faz totalmente ausente ou, pelo contrário, a luz ofusca e deixa tudo branco, da mesma forma cegando os olhos.
O que é o coma. Para os que creem em alma, para onde a mesma vai enquanto o corpo se encontra inerte. Na escuridão, seja ela preta ou branca? Para o mesmo lugar em que vamos em sonho enquanto dormimos?
Hoje a italiana Eluana Englaro deixou de receber qualquer tipo de alimentação e hidratação feito por sonda. Seu caso vem sendo acompanhado pelo mundo todo. Ela em coma desde 1992 e os pais lutando pelas vias jurídicas para que sua filha tenha o direito de morrer.
A questão polêmica dividiu o governo italiano. O premiê Silvio Berlusconi aprovou um decreto lei que proibe a suspensão da alimentação e hidratação de pacientes que não possam se expressar sobre o assunto. Porém o presidente Girgio Napolitano recusou-se a assinar tal decreto pois considera o mesmo inconstitucional.
Até que ponto pode o ser humano interferir na vida e na morte de um semelhante? Após 17 anos inerte e terminadas as forças dos pais que sofreram com a angústia e a incerteza do despertar da filha não seria hora de deixar a vida tomar seu rumo natural?
O Vaticano acha que não. O Papa lamentou o veto de Napolitano e disse que mesmo frágil a vida humana deve ser reafirmada na sua dignidade com absoluto e supremo vigor, defendendo que os médicos deveriam continuar lutando para que Eluana continue viva.
É uma questão de tempo para que seja feita a vontade, não se sabe se de Deus, dos homens... Eluana não pode opinar sobre seu próprio fim. Será que é desejo que a agonia dos pais tenha um fim? Será que gostaria de continuar lutando?
Nunca saberemos.





